quinta-feira, 15 de setembro de 2011

“SALÁRIO, TRANSPARÊNCIA E CONTROLE SÃO TRIPÉ DA POLICIA” (Página 44, Zero Hora) Entrevista


Rodrigo Pimentel, especialista em segurança e um dos autores do livro “Elite da Tropa”. Capitão reformado do Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar do Rio, Rodrigo Pimentel acompanha com vívido interesse a onda de insatisfação que grassa entre PMs de todo o país. Afinal, ele foi policial militar de 1990 a 2001. Comentarista de segurança da Rede Globo, ele ganhou fama internacional como um dos autores de Elite da Tropa, o livro que serviu de base para dois históricos sucessos do cinema nacional: os filmes Tropa de Elite e Tropa de Elite 2. São peças de ficção baseadas na própria vivência de Pimentel como oficial e na de alguns colegas. Após os filmes, Pimentel passou a ser tão requisitado que gasta o tempo fora da TV entre palestras e voos pelo Brasil. Tem muito mais convites do que consegue atender. Esta semana esteve em Bento Gonçalves para participar de encontro nacional de comunicadores da Polícia Federal. Entre garfadas em bife à parmegiana e goles de água mineral, concedeu entrevista a Zero Hora, complementada por telefone: Zero Hora – Esta semana foram afastados o comandante da Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) nos morros Fallet e Coroa, no Rio, por suspeita de corrupção. Como o senhor viu o episódio? Rodrigo Pimentel – Rapaz, uma tristeza. O esquema abasteceria os policiais com valores que variam de R$ 400 a R$ 2 mil e no mês totalizam mais de R$ 53 mil. Outros 30 estão sob suspeita. Olha, fiquei triste, mas não surpreso. Se a polícia do Rio é basicamente a mesma há 200 anos, se as corregedorias atuam da mesma forma, se o salário continua muito baixo, impossível fazer mágica. O maior antídoto para corrupção é bom salário. Mas os PMs que estão nas UPPs vêm do mesmo estrato que os outros e o poder corruptor do crime é enorme. ZH – O senhor diria que o sistema das UPPs, um sucesso no Rio, está comprometido e pode falir? Pimentel – Não, claro que não. O que tem é de aperfeiçoar a receita, que é boa. Começando por pagar melhor e por apertar os mecanismos de controle, de correição. Só com controle e bom salário se começa a mudar uma polícia. Você pode encher a viatura de câmeras e computadores, pode aumentar o número de policiais na Corregedoria, mas nada disso funciona sem dinheiro no bolso de quem atua nas ruas. Salário, transparência e controle são o tripé para forjar uma boa polícia. ZH – No RS, há uma onda de queima de pneus por parte de PMs que reivindicam salários. Em outros Estados, paralisações. Como o senhor vê esse tipo de coisa? Pimentel – Natural, embora não possa opinar com profundidade sobre a realidade de cada Estado e prefira não opinar sobre métodos. Sei que no Rio de Janeiro o salário básico do soldado da PM é R$ 1,2 mil, insuficiente, claro. Os policiais que atuam em UPPs recebem R$ 500 adicionais para atuar naquelas comunidades, mas o episódio do morro Fallet mostra que o vencimento ainda não está suficiente. É claro que o salário, apenas, não forma o caráter de uma pessoa, mas ajuda a botar no bom caminho. ZH – Qual a receita do prestígio da Polícia Federal? Pimentel – Ela paga bem. Há 20 anos, talvez um pouco mais, a PF era um problemão, pelo menos no Rio. Cheia de casos de corrupção. Pipocavam denúncias de turistas extorquidos no aeroporto, de doleiros achacados. Aí ocorreu uma mudança, o governo federal começou a pagar bem melhor os federais. A coisa mudou. Virou uma polícia exemplar. A população só tem a lucrar com isso, não admira que a PF esteja tão prestigiada.  Por meio de escutas telefônicas, a investigação obteve indícios de que integrantes do comando da UPP estariam recebendo em suas casas um mensalão do tráfico. Um capitão e um tenente da Polícia Militar foram afastados. O pagamento era feito para que PMs lotados na unidade não reprimissem a venda de drogas na região.

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